Esse blog é produto de um processo dialético. Uma cadeia de relações complexas e contraditórias entre a produção de espasmos estomacais e poesia. Esse é o devir da minha úlcera.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Prólogo
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Porque ainda sou um homem
Não tenho muito o que dizer sobre ela. Embora sofra do fígado, acho que também estou mal das artérias, meu estômago não está bem. Penso em procurar um médico.
Acho que pulei essa fase.
Está na hora de me preparar para a morte. A velhice é o velório que podemos participar. Devia escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore... Porra nenhuma. Se tiver que deixar algo para essa vida que (apesar de mim) continua, que seja vazio, um nada. Que não se lembrem de mim.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Porque sou o homem mais vil da Terra
_ Sr. Hermeto, dirija-se à sala do diretor.
Maldito xará, maldito dia. Em conseqüência desse episódio lamentável, tornei-me o principal alvo de piadas na escola, não havia dia em que após a chamada algum fedelho não fizesse qualquer piadinha infame. Em troca, eu também inventava apelidos para os colegas, mas nem nisso eu era bom, eram alcunhas péssimas, fora de contexto e infantis demais ainda que maldosas.
Então virei um adolescente frustrado. Não era bom aluno, não era bom nos esportes e as meninas não me queriam porque sempre fui tão feio quanto meu nome. Minha principal fonte de prazer, além da masturbação, era passar trotes por telefone. É inenarrável, como um bom orgasmo, o prazer que sentia ao desligar o telefone antes que minha vítima pudesse responder algo mais ofensivo, perspicaz ou inteligente.
Nessa época eu quis descobrir o satanismo, pensei que o fato de eu ser tão boçal se devia a algum motivo luciferista. Fui à livraria mais próxima, na seção "exotéricos" e comprei desde livros do Paulo Coelho até o manual de magia negra de São Cipriano. E pasme, caro leitor, trancafiei até o Brida em um baú para nunca lê-los, pois tive a sensação de ser seguido da rua até minha casa. Imaginei que fosse um espírito, o demônio talvez? Fato é que na primeira noite não consegui dormir de medo, então tirei o baú do meu quarto e os escondi no sótão para nunca mais vê-lo.
domingo, 9 de agosto de 2009
Tic, Tac, Tic, Tac
Cumprimento o jornaleiro da esquina, ele acha engraçado eu não pentear meu cabelo. Se pelo menos as pessoas na faculdade fossem como o jornaleiro que fica contente em não saber meu nome, mas não, tem sempre alguém curioso demais ou simpático o suficiente para abrir a boca:
_ Bom dia Hermeto, tudo bem?
Poderia dizer-lhe:
_ Fora minha insônia, o fato de eu ter vomitado antes de vir a aula e a situação política em que nossa jovem democracia se encontra, não há nada do que se reclamar.
.
Mas o que sai de minha garganta arranhada é um seco e sujo "tudo".
sábado, 8 de agosto de 2009
Sábio Sabiá
Onde samba o sabiá
O sábio que aqui navega
Não navega como o de lá
Minha terra tem cachaça
Que espanta té guará, porém
A chachaça que me embebeda
Não espanta o sabiá
Nessa terra tem morenas,
Nosso bairro tem mais loiras,
Nosso campus tem meninas,
Quanto o sábio tem amores
Se cismar de sair à noite,
Lá ele estará,
Ceifando flores como uma foice,
O Sábio Sabiá