terça-feira, 16 de março de 2010

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Porque sou o homem mais vil da Terra

Por falar em sujeira e simpatia, caro leitor, ainda não me apresentei: sou o homem mais vil da terra, minha querida progenitora teve a criatividade estonteante de me apelidar oficialmente de Hermeto. Quando grávida, tal senhora trabalhava como secretária de um executivo e parte do seu ofício era anunciar o próximo a entrar na sala de seu chefe. Belo dia, após anotar zilhão de nomes, ela anunciou:

_ Sr. Hermeto, dirija-se à sala do diretor.

Maldito xará, maldito dia. Em conseqüência desse episódio lamentável, tornei-me o principal alvo de piadas na escola, não havia dia em que após a chamada algum fedelho não fizesse qualquer piadinha infame. Em troca, eu também inventava apelidos para os colegas, mas nem nisso eu era bom, eram alcunhas péssimas, fora de contexto e infantis demais ainda que maldosas.

Então virei um adolescente frustrado. Não era bom aluno, não era bom nos esportes e as meninas não me queriam porque sempre fui tão feio quanto meu nome. Minha principal fonte de prazer, além da masturbação, era passar trotes por telefone. É inenarrável, como um bom orgasmo, o prazer que sentia ao desligar o telefone antes que minha vítima pudesse responder algo mais ofensivo, perspicaz ou inteligente.

Nessa época eu quis descobrir o satanismo, pensei que o fato de eu ser tão boçal se devia a algum motivo luciferista. Fui à livraria mais próxima, na seção "exotéricos" e comprei desde livros do Paulo Coelho até o manual de magia negra de São Cipriano. E pasme, caro leitor, trancafiei até o Brida em um baú para nunca lê-los, pois tive a sensação de ser seguido da rua até minha casa. Imaginei que fosse um espírito, o demônio talvez? Fato é que na primeira noite não consegui dormir de medo, então tirei o baú do meu quarto e os escondi no sótão para nunca mais vê-lo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Tic, Tac, Tic, Tac

Trirrrrrrm! Hora de ir para a faculdade. O vizinho não virá, ainda são seis da manhã. Despertador inútil, me serviria mais se fosse um relógio dormidor: bastaria olhar para seus ponteiros, tic, tac, tic, tac e o sono viria leve, como um embalo, simples.

Cumprimento o jornaleiro da esquina, ele acha engraçado eu não pentear meu cabelo. Se pelo menos as pessoas na faculdade fossem como o jornaleiro que fica contente em não saber meu nome, mas não, tem sempre alguém curioso demais ou simpático o suficiente para abrir a boca:

_ Bom dia Hermeto, tudo bem?

Poderia dizer-lhe:

_ Fora minha insônia, o fato de eu ter vomitado antes de vir a aula e a situação política em que nossa jovem democracia se encontra, não há nada do que se reclamar.
.
Mas o que sai de minha garganta arranhada é um seco e sujo "tudo".

sábado, 8 de agosto de 2009

Sábio Sabiá

Minha terra tem convés
Onde samba o sabiá
O sábio que aqui navega
Não navega como o de lá


Minha terra tem cachaça
Que espanta té guará, porém
A chachaça que me embebeda
Não espanta o sabiá

Nessa terra tem morenas,
Nosso bairro tem mais loiras,
Nosso campus tem meninas,
Quanto o sábio tem amores

Se cismar de sair à noite,
Lá ele estará,
Ceifando flores como uma foice,
O Sábio Sabiá

sábado, 25 de julho de 2009

A UNE sob ataque

A União Nacional dos Estudantes (UNE) está sob ataque. Era de se esperar. O apoio da entidade ao governo Lula lhe custou pouco até o momento, na verdade esse apoio não lhe custou nada até o último CONUNE. As parcerias com o governo fizeram a entidade crescer e se tornar mais representativa a despeito da esquerda ezquisofrênica que, até o momento, era o único adversário que a UNE enfrentava.

Acabou a Paz

Historicamente, a UNE tem se beneficiado de alianças táticas com os grandes meios de comunicação. Foi assim no processo de redemocratização do país, no impedimento de Collor, na produção de políticas públicas (não-estatais) voltadas para a cultura como as bienais, na defesa da Amazônia com o Projeto Rondom e tantas outras iniciaticas da entidade estudantil que visa a expansão do acesso da cultura, educação e informação aos jovens brasileiros.

Porém, sempre foi claro para ambos os lados que essa aliança tem prazo de validade. E o prazo se esgotou. A aliança democrática que uniu amplos setores da sociedade civil para acabar com a ditadura e seus resquícios no país foi vitoriosa e se acabou conforme a pauta em comum foi se cumprindo. Os movimentos sociais, durante esses vinte anos de democracia, foram se desligando das forças democráticas liberais que na década de 199o eram representadas pelos partidos de direita.

Os primeiros a entrar em rota de colisão com as forças liberais foram os Sem-Terra devido ao problema da propriedade particular da terra, seguidos pelos sindicatos que se viram imersos no turbilhão neo-liberal que cassou direitos trabalhistas e chegou mesmo a ameaçar conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros.

Com o fim da era FHC e as duas eleições de Lula, os movimentos sociais puderam respirar aliviados e se reconstituirem para promover mais avanços. Os terríveis embates que se deram no governo do Príncipe foram duros para as forças populares brasileiras, mas no fim foi pior para os partidos de direita: o PFL minguou e virou DEM, um partido nanico, o PSDB se agarra aos trancos e barrancos nos dois principais colégios eleitorais do país, sempre disputados e difíceis de se governar.

Assim, as grandes empresas de comunicação em massa do País, com destaque para as organizações globo e grupo abril, se colocaram na dianteira da promoção tanto da ideologia liberal quanto da disputa pela pauta política nacional. Os partidos de direita se tornaram reféns do que grandes jornalões, revistas semanais e progrmas de tv pautavam para fazer oposição a Lula.

Em 2005, enquanto se falava em impedimento do presidente mais votado da história, a UNE saia às ruas para denunciar a tentativa de golpe organizado pelos empresários da comunicação, o PIG (partido da imprensa golpista). De lá pra cá a popularidade do presidente do Brasil se tornou a maior que um presidente brasileiro já teve, o desemprego caiu drasticamente, os recursos para educação aumentaram, novas universidades federais foram abertas, as vagas em universidades públicas estão programadas para duplicar até 2011.

Ao fim de 12 anos de governos liberais e 8 anos de um governo progressista o fantasma da ditadura não assusta ninguém. A democracia nunca fora tão forte no país. Nos aproximamos de um momento em que, mais do que nunca, a nação brasileira irá se pronunciar entre se continuaremos a caminhar para a superação do liberalismo ou se retornaremos ao velho caminho de subserviencia aos privilegiados nacionais e internacionais e abandono do povo brasileiro.

A atual direção da UNE não pode mais contar com as forças democráticas para atingir seus objetivos. A democracia venceu, não há mais pelo que lutar nesse campo. A UNE agora luta por mais avanços sociais dentro desse marco democrático, o que desagrada seus antigos aliados. Nesse momento seus inimigos usarão suas ferramentas midiáticas para atacar não só a UNE, mas também todo e qualquer avanço do atual governo: tentarão transformar o bom rendimento da Petrobrás em mar de lama, dirão que a UNE está vendida, que todos que são contra as privatizações, que lutam por mais direitos sociais e pelo povo são corruptos e amorais.

Está na hora da UNE repensar suas táticas e estratégias de difusão discursiva, suas passeatas não podem mais contar com a cobertura jornalística, seus atos, protestos e ocupações não serão mais avaliados como atos em defesa de direitos, mas sim como manifestações terroristas. Essa é a hora da UNE investir pesado na internet, em mídias alternativas e nada melhor do que os jovens para manejar essa nova ferramenta.